quarta-feira, 4 de agosto de 2010

I Ching e Sincronicidade


O que será que pode explicar o "funcionamento" ou o "mecanismo" que faz com que o I Ching funcione? O que está por trás deste processo "mágico" que possibilita que um determinado hexagrama do I Ching  traga respostas significativas para nossas vidas? Da mesma forma quando se utiliza a  técnica da Astrologia Horária, Tarô, Runas, etc.


No caso do I Ching o que na verdade manipula as moedas ou as varetas de milefólio para que as respostas saiam tão especialmente condizentes com o que precisamos ler no Livro das Mutações (I Ching ), quando buscamos conselhos no I Ching?  Mas, percebe-se que funciona sim para aqueles que se colocam humildemente perante o Universo em busca de ajuda, de uma palavra amiga, de um conselho.
A resposta pode estar no conceito da sincronicidade.
Este termo foi cunhado pelo psicanalista Carl Gustav Jung, quando ele observou que determinadas coincidências na vida de seus pacientes, em pesquisas e na vida dele mesmo, eram bastante significativas pois provocavam nestes mudanças importantes melhorando o andamento das terapias levando a pessoa a um certo progresso; afinal se notavam avanços grandiosos na terapia e o quanto estes eventos aparentemente desconexos causavam na vida das pessoas. Eram, por exemplo, sonhos que coincidiam com eventos reais; os famosos "acasos".

Jung chamou de  "Sincronicidade - Um Princípio de Conexões Acausais", tema de um de seus livros.
Em rápidas palavras significa que tudo está conectado, e que existe um princípio subjacente que a tudo dirige, e que, mesmo inocentes acasos carregam em si grandes possibilidades; existe enfim um "elo" que a tudo interliga, do Micro ao Macrocosmos; fora e dentro de nós.  Wilhelm Gottfried Leibniz, filósofo e matemático do século XVII  chamou de Lei de Harmonia Preestabelecida.  Há portanto uma harmonia que faz com que eventos materiais ou psíquicos se correlacionem e façam com que a pessoa que passa por tal situação se sinta tocada em seu íntimo e algo mude daí para frente.

Esse princípio portanto seria o motor que coloca em funcionamento os oráculos, como I Ching, Tarô, Runas, Astrologia Horária, etc.
No caso do I Ching, por exemplo, quando a pessoa faz a pergunta e se colocam as moedas ou se jogam as varetas, para se obter o hexagrama que dará o conselho-resposta, na verdade se está buscando o inconsciente da própria pessoa; tanto que se diz que "quem pergunta é quem responde"...
A resposta enfim está em nós mesmos, mas como temos imensa dificuldade em auscultar nosso inconsciente, precisamos de certas "ferramentas"; é onde entram os oráculos.
Portanto, no caso do I Ching a sincronicidade estará agindo, e faz com que o ato de jogar moedas ou as varetas - algo nada a ver com a Lei de Causa e Efeito - seja significativo para a pessoa. Realmente conforme Jung descreveu em nada tem a ver com esse mundo mecanicista, newtoniano, onde para todo efeito existe uma causa aparente, real, concreta.
Quer entender o I Ching, esqueça a causalidade.
E para corroborar tudo isso Jung trocava ideias com o próprio Einstein, conforme cartas documentam tais contatos entre os gênios. Pois é certo que a nova física tinha tudo a ver com tudo isso...   Mas essa,... é outra história...

Maiores informações podem ser obtidas em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sincronicidade

Saudações!
Haroldo Mendonça

Um comentário:

Túlio disse...

Rapaz, isso é um negócio que eu falo há tempos. Bom encontrar um espírita de cabeça aberta para outros formatos de pensamento. Consulto o I Ching volta e meia, esta edição aí mesma, já caindo aos pedaços, já foi um alento para mim muitas vezes. É o retrato do macrocosmo num microcosmo. Parabéns pelo blog.