sábado, 23 de outubro de 2010

Sol em Escorpião: Ao Encontro da Própria Sombra...

O Sol mergulha em Escorpião.
Sim, porque em Escorpião tem que se mergulhar para se entender em profundidade. E mesmo assim, difícil de entender.
Escorpião não vive na superfície das coisas; tudo é muito intenso e ...profundo...
E é por isso que Escorpião abomina a mediocridade.
Na astrologia Escorpião está associado à casa oito, casa da morte.
E morrer significa deixar pra trás para nascer de novo, mil vezes se preciso for; é um processo alquímico, de transmutação. Tal como a mitológica Ave Fênix, que morre tantas vezes para renascer cada vez mais forte.


Tal como uma Alquimia da Mente, do Espírito, e conforme escrevi em meu twitter, é transformar o chumbo dos males internos no ouro da felicidade, da paz, do reencontro com sua essência verdadeira; mas, tem que morrer sim para nascer de novo. Saulo morreu e em seu lugar viveu Paulo de Tarso.

Lembro-me das leituras e pesquisas que no momento máximo da iniciação no antigo Egito, - a última prova- , se  encerrava o neófito em um sarcófago para que ficasse a noite toda em mais profunda escuridão, completamente só, para se sentir morto, para que o mesmo, com seus temores, dúvidas, inquietações, pudesse deixar para trás tudo isso para que começasse uma nova vida, a Iniciação Espiritual. Se passasse na prova, deixasse o medo, a dúvida, aí sim seria aceito entre os verdadeiros pretendentes à iniciação.


A deusa egípcia da Morte, Selkhet, e que corresponde a 13a. carta do Tarô Egípcio, diz num antigo mito egípcio:


"Eu vi o ontem -
Eu conheço o amanhã."

Muitas das vezes só seguiremos em frente se nos defrontarmos com o ontem  jaz apegado em nós, para que dele nos libertemos de verdade, e assim sigamos para o amanhã..

Selkhet era vista como guardiã de uma das quatro portas do mundo subterrâneo (inferno), portanto tinha a missão de velar e ao mesmo tempo descortinar o mundo tenebroso dos infernos, o que quer dizer que permitia (ou não) o acesso a este mundo que tememos...  Mas este medo é de, na verdade, se descobrir e todo mal que ainda carregamos; como tão bem escreveu Renato Russo "nos deram espelhos e vimos um mundo doente".

Interessante é que me veio à memória as mais belas cenas finais do filme "Nosso Lar" (quem não viu, veja!), quando André Luiz - incendiado de raiva - por pouco se deixa levar para o Umbral (que na verdade está dentro..mas isso é outra discussão) quando vai visitar sua família na Terra; mas consegue vencer a si mesmo, compreendendo a situação e até se superando. Pois então, esse processo doloroso, mas vital, de ir até às fronteiras do Bem e o do Mal (lembrei de Nietzsche), de flertar com o perigo da queda... isso é fenomenal, e é coisa de Escorpião, que vive nessa fronteira todo o tempo lidando com o perigo de sucumbir a si mesmo.  Difícil sim, demais até, mas como disse, é a transmutação, a alquimia espiritual.. 
E todos nós ainda encarnados neste mundo precisamos desse flerte, cedo ou tarde, com a própria Sombra.


O Arquétipo da Sombra (tese de Jung) são as casas oito e doze do mapa natal, mas acredito que muito mais a casa oito, casa de Escorpião, onde tudo se esconde, mas ao mesmo tempo onde tudo se renova.. Mas é preciso mergulhar nos subterrâneos de nós mesmos. Enfrentar o Hades...

É gente... falar de Escorpião, casa oito astrológica, é assim mesmo, papo complexo...
Junte a tudo isso num caldeirão: sexualidade, ocultismo, magia, magnetismo, morte, poder, etc.

E gritemos: "Metanóia ! Metanóia!! " 


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